Mais que um passeio, uma verdadeira viagem, pois navegar por esse rio enorme por tanto tempo, quatro horas pra ir, incluindo as paradas, e mais de duas pra voltar, demoveu qualquer idéia de uma rápida visitação a favor de uma busca de longo curso por terras e águas desconhecidas.
Esse rio, que nasce no interior do Estado, tem 120 km de extensão e avança em ziguezague delimitando, à sua direita, a Área de Proteção Ambiental dos Pequenos Lençóis, área de dunas mais modestas que as do Parque Nacional.
Pegamos um catamarã, aquele barco bem largo com duplo casco, que quase não balança, muito estável, da praça no centro de Barreirinhas e fomos até Caburé, vilarejo na foz, quando o rio encontra o mar. Pelo tempo que passamos navegando com tranqüilidade foi possível admirar muito a paisagem, fotografar e filmar. De sobra, muita conversa e animação, música e dança. Descobri que a música do Maranhão não é só o reggae, mas deste assunto falarei no próximo capítulo.
Na altura de Barreirinhas, a paisagem é dominada por uma vegetação alta e abundante, pontuada de palmeiras. As mais comuns são o buruti, a jussara (ou açaí) e a carnaúba. Aos poucos, o mangue toma conta das margens. O rio chega a alcançar uns 100 m de um extremo ao outro.
A primeira parada, logo depois da saída de Barreirinhas, foi em Vassouras, nos pequenos lençóis. Subimos as dunas e aproveitamos para tomar uma água de coco na barraca à beira-rio. Lá os macaquinhos se aproximam e em troca de coco ou outra fruta deixam a gente tirar uma foto. Gostei tanto de ver os bichinhos que até esqueci a febre amarela...
A próxima parada foi em Mandacaru, cuja maior atração é o imenso farol Preguiças, construído na década de 1940. Há uma vila de pescadores. E, lá de cima, a 35 metros de altura, depois de vencer nada menos que 160 degraus têm-se uma vista deslumbrante: o mar, as dunas dos pequenos lençóis, grande parte do rio e, ao fundo, a larga faixa de areia que limita a praia.
A última parada foi em Caburé, onde o rio se encontra com o mar. Há um povoado de pescadores numa península de areia entre o rio e o mar. A paisagem é belíssima. Só o vento que é violento, se não segurar bem o chapéu, adeus! Neste lugar comemos arroz de cuxá, prato maranhense muito famoso, que é composto por arroz, camarões e ervas acompanhado com pargo grelhado. Uma delícia!
Retornamos para Barreirinhas ao anoitecer, após uma boa chuva com vento, que molhou todo mundo.