Venho em primeiro agradecer-lhe pelo convite recebido para participar da cerimônia da Academia Paulista de Letras no dia 27/03/2008.
Que momentos prazerosos você me proporcionou!
Conhecer pessoalmente alguns acadêmicos, reconhecer outros, e brindar a chegada de Ruth Rocha na Academia provocaram em mim um sentimento de orgulho e pertencimento à história de nosso país. Isto porque, como muitas crianças brasileiras e até do mundo, construí a minha história passeando através da imaginação de alguns daqueles que estavam sentados naquela mesa e naquela platéia.
Quando, em seu discurso de acolhimento, se referiu aos acadêmicos que, como Ruth Rocha, se dedicaram à faixa etária infanto-juvenil, você acionou a minha memória com muita emoção. Ao citar Hernâni Donato, me fez lembrar os meus primeiros anos de escola, quando por evoluir na leitura, ganhei de minha querida professora Dona Rosa Innocenti, meu primeiro livro de muitas páginas, “Novas Aventuras de Pedro Malasartes”. Gostei tanto de ganhar e ler esse livro, que nem sei quantas vezes o reli. Guardo-o comigo até hoje como lembrança por ter sido a porta de entrada para tantos outros. Vieram Monteiro Lobato, José Lins do Rêgo, Érico Veríssimo, José de Alencar, Jorge Amado, Kalil Gibran e uma série infinita que hoje faz fila em meu criado-mudo.
Celebrar com Ruth Rocha sua posse na Academia Paulista de Letras levou-me a relembrar mais um pedaço de minha vida. Desta vez, eu como contadora de suas histórias, provocando meus alunos com seu humor, crítica, fantasia, magia, ternura e entusiasmo. Quando fui Orientadora de Sala de Leitura, conheci e espalhei seus encantos.
Por tudo isso só tenho a lhe dizer, muito obrigada Anna Maria!
Vera
P.S. Espero que não se importe, não costumo fazer isto, mas espelhada em Ana Luíza, sua filha, que fez o que fez com as cartas do pai, publiquei esta carta em meu blog para compartilhar com meus amigos estes momentos, juntamente com um video que fiz durante a cerimônia.
Vídeo com o discurso de posse de Ruth Rocha da 38ª Cadeira da Academia Paulista de Letras, em 27 de março de 2008.
Anna Maria Martins, ocupante da cadeira nº 7 da Academia, está à direita de Ruth Rocha.
Ruth Rocha, de forma encantadora, fala da cultura em nosso país, da importância e papel das instituições culturais como a Academia Paulista de Letras. Relembra as lições que aprendeu com os acadêmicos, seus mestres e professores. Faz uma declaração de amor às crianças. Vale a pena assistir!
Nessa viagem, não poderia de deixar de citar e mostrar fotos dos lugares históricos do Maranhão, onde começou a cidade e da parte nova onde fiquei hospedada. Essas duas regiões são separadas por um braço de mar e ligadas por uma ponte. O Centro Histórico de São Luis é o maior conjunto de casarões coloniais dos séculos 18 e 19 da América Latina. A cidade foi fundada em 1612 pelo francês Daniel de La Touche que queria criar a França equinocial. Foi invadida por holandeses e depois, colonizada por portugueses. Lá, se sobressaem casarões com fachadas revestidas em azulejos, escadarias, becos, ladeiras e ruas calçadas em pedras de cantaria. É chamada Cidade dos Azulejos e dos Sobradões e também conhecida como Atenas brasileira. Foi tombada pela UNESCO há 10 anos como Patrimônio da Humanidade, mas uma grande pena que muitas casas estão deterioradas, caindo. Uma parte mais nova compõe o Palácio dos Leões, residência e sede do governo do Maranhão. É a parte mais alta. De lá a vista da baia é estupenda, cuja maré sobe e desce durante o dia, cerca de 5 metros. Nunca vi uma diferença tão grande na subida e descida da maré. Isto é responsável por tão bela paisagem. Da janela do Museu do Bumba-meu-boi pude flagrar estes momentos. As fotos pegaram a maré baixa. Mais à tarde, o rachado que se vê nela enche de água.
Já a vista do mar, quando na cidade nova, traz os cargueiros de minérios da Companhia Vale esperando a vez para carregarem minério de ferro no porto. Eles ficam virados para um lado com a maré baixa e para o lado oposto com a maré alta. É impressionante como a maré consegue virar os enormes navios.
Entre as coisas da terra encontrei uma muito curiosa, o famoso “Guaraná Jesus”. É um guaraná cor-de-rosa, bem docinho. Achei que o sabor lembra groselha, mais cravo e canela. Dizem que a fórmula tem 17 ingredientes e que foram coletados na Amazônia.
O Guaraná Jesus foi criado em 1920 pelo farmacêuticoJesus Norberto Gomes, em São Luís. O refrigerante foi criado acidentalmente quando Jesus tentou sintetizar um remédio que estava em voga no momento com uma máquina de gaseificação importada.
São Luís bate um recorde, pois é a única cidade do planeta em que a Coca-cola não é o refrigerante que vende mais. Lá o rei de vendas é o Guaraná Jesus. Na praia, nos restaurantes e barzinhos, o que se vê nas mesas é a lata, a garrafa ou o pet do guaraná. A Coca-cola bem que tentou bater suas vendas e pelo fato de não ter conseguido, acabou comprando a marca. Mas ela não pode fazer dela o que quiser, pois antes os maranhenses conseguiram tombá-lo como patrimônio e hoje o Guaraná Jesus só pode ser comercializado no Maranhão.
Na parte velha da cidade passear pelas ladeiras e becos foi muito agradável, pois além de conhecer um pedacinho da história apreciei o artesanato e as demais coisas da terra. O museu do Bumba-meu-boi tem um acervo riquíssimo e lindo.
À noite o passeio transforma-se. As histórias e o artesanato cedem lugar à música. Descobri que o som do Maranhão não é só reggae como a gente houve falar por aí. Há os ritmos do boi, do samba, do carnaval e tantos outros gêneros que são apresentados por grupos locais. Abaixo, filmei um grupo de chorinho numa noite super agradável, sob uma enorme mangueira. O show foi intercalado com chuvas rápidas e até divertidas.